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Lula quer tocar o barco com mais impulso, mas a previsão do tempo não é boa

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Lula quer dar ritmo ao governo em 2025, mas um caminhão de incógnitas atrapalha o caminho (Crédito: Divulgação)

Por Paula Cristina

Recuperado de sua intervenção médica após um sangramento craniano, o presidente Lula começou uma maratona de entrevistas para tentar dar o ritmo de seu governo em 2025. Se 2023 foi marcado por viagens internacionais e busca por novos acordos, 2024 foi o ano, segundo Lula, das reformas e readaptação. As mudanças tributárias e o anúncio do ajuste fiscal estão entre os pontos destacados pelo governo neste ano. Mas, e para 2025, qual será o carro-chefe? A expectativa é que a economia arrefeça para controlar a inflação, e o crescimento do PIB na ordem dos 3,5% não deve se repetir. Sabendo disso, Lula tem afirmado que o ano que vem será o da colheita. Em uma alusão aos efeitos dos acordos comerciais e investimentos públicos para sustentar o ritmo de crescimento do País. Mas ainda há nuvens no horizonte. Além da questão inflacionária, há incertezas com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, além dos desdobramentos na relação comercial brasileira com a China. Há ainda a preocupação com o dólar e com os juros, além das perspectivas de desaceleração do consumo das famílias, um dos motores do PIB em 2025. Sobre o agronegócio, outra incógnita, os efeitos climáticos adversos podem contribuir para uma redução da safra, impulsionando mais um ano decepcionante nos campos. Sempre importante lembrar, como diria Chico Buarque, quando se semeia o tempo, se bebe tempestade.

Internacional
Reação dos hermanos

A economia da Argentina cresceu 3,9% no terceiro trimestre ante o segundo, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) publicados na segunda-feira (16). Foi o primeiro resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB) ante o período imediatamente anterior após três quedas seguidas. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a economia argentina diminuiu 2,1%, ante previsão de analistas de uma contração de 2,6%. Do lado da demanda, todos os componentes registraram um incremento ante o segundo trimestre. As exportações cresceram 3,2%, o consumo privado aumentou 4,6%, o consumo público, 0,7% e a formação bruta de capital fixo cresceu 12%. Na comparação interanual, houve queda de 3,2% do consumo privado e de 4% do público. O investimento em capital fixo recuou 16,8%, enquanto as exportações aumentaram 20,1%.

Política
A importância de se comunicar

(Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (16) aponta haver mais desaprovação do que aprovação enfática à gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Segundo o instituto, 34% dos brasileiros classificam a gestão como ruim ou péssima, o mesmo índice dos que a avaliam como regular. Outros 27% a definem como boa ou ótima, enquanto 5% não sabem ou não responderam. O levantamento foi realizado entre 12 e 13 de dezembro, cerca de duas semanas após o anúncio do pacote de corte de gastos. A maioria dos brasileiros, porém, não ficou sabendo das medidas do governo. De acordo com o Datafolha, 59% dos entrevistados disseram “não ter tomado conhecimento” do plano, que visa economizar R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026. Em pronunciamento no rádio e na televisão, o ministro também confirmou a proposta de isentar do Imposto de Renda a população que recebe até R$ 5 mil mensais. Sobre esse tema, a maioria dos entrevistados (70%) se disse favorável, enquanto 26% afirmaram ser contra.

Indústria
A força da transformação

O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação deve apresentar um crescimento de 3,5% em 2024, a maior alta em três anos, estimou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Essa é a mesma taxa de expansão esperada para o PIB como um todo do Brasil neste ano, ou seja, 3,5%. O bom desempenho se dá pelo fortalecimento do consumo, que deve crescer 4,6% em 2024, a expansão do crédito do BNDES e o ritmo de gastos do governo. “Essa alta da indústria, mais intensa e disseminada, é fator especialmente positivo da composição do PIB em 2024, pois o setor gera forte encadeamento positivo na cadeia produtiva, além de pagar salários mais elevados e realizar mais investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento”, detalhou a CNI, em nota.